Espetáculo que estreia no FILO 2010 aborda a visão sob outras óticas

15 jun

Célia Musilli, do FILO – Festival Internacional de Londrina – 2010

"Olhares Guardados" - Londrina - Crédito foto NATÁLIA LIMA CASTRO

Cinco personagens se encontram numa estação de trem: um fotógrafo, uma costureira, um vendedor de antiguidades, um escritor e um músico. Todos inseridos na paisagem de uma pequena cidade e mergulhados também em suas “paisagens interiores”.

Neste cenário, físico e humano, o espetáculo: Olhares Guardados, dirigido por Paulo Braz e que tem no elenco Flávio Cordeiro, João Durval, Marcos Santos, Sebastião Narciso e Tatiane Quadros, estreia hoje no FILO 2010. Trata-se de uma montagem que conta com atores deficientes visuais e que insere também os espectadores em outras percepções e paisagens.

A trama traz um fotógrafo que encontra os outros personagens e registra suas imagens, enquanto a história de cada um se revela. Assim, a partir da fotografia, o espetáculo tece uma abordagem sobre a diferença entre olhar e enxergar. Paulo Braz  explica que o enredo se baseia no trinômio verbo/imagem/palavra, sobre o qual são criadas reflexões.

“O título Olhares Guardados remete às imagens guardadas pelos que perderam a visão e também àquilo que os que têm visão nunca enxergaram”, diz o diretor, que ainda questiona: “Quantas vezes não passamos o dia sem enxergar nada? Quantas vezes não passamos anos num ambiente de trabalho sem enxergar ninguém?”.

Tateando o espaço

Apesar do tema, Paulo Braz deixa claro que não quer ressaltar a participação de atores deficientes visuais, mas sim destacar seu trabalho artístico.

"Olhares Guardados" - Londrina - Crédito NATÁLIA LIMA CASTRO

“Trabalhei com eles como trabalharia com qualquer elenco, mas criamos um espetáculo em que o cenário, a sonoplastia e os adereços de cena são também personagens e auxiliam em todas as marcações, para que eles, mesmo sem visão, se locomovam no espaço.”

Desta forma, a cenografia conta com máquinas de escrever, costurar e fotografar, elementos que auxiliam na marcação do espetáculo com ruídos que conduzem o elenco, redimensionando a importância da audição.

Os atores também se apresentam descalços e caminham sob passarelas de borracha que indicam espaços: trechos lisos são o piso das casas, trechos com relevo são as “ruas”, que fazem a ligação entre vários pontos do cenário.

Textos em Braile

Olhares Guardados traz fragmentos de textos de Evgen Bavcar, deficiente visual, escritor e fotógrafo; Adauto Novais, jornalista e professor sem deficiência e Maurice Polydore Marie Bernard Maeterlinck (1862 – 1949), dramaturgo e ensaísta belga, considerado o principal expoente do teatro simbolista. Também são utilizados um poema de Paulo Leminski e textos do escritor e contador de histórias Sebastião Narciso, que integra o elenco.

Todos os textos foram transcritos para Braile e o espetáculo conta com muitos diálogos, além de uma trilha sonora que serve também para marcar a movimentação em cena. Dois atores têm uma ligação profunda com a música: Marcos Silva é violonista, guitarrista e compositor, João Durval é DJ.

A partir desta montagem, Paulo Braz está criando um método para trabalhar com deficientes visuais no teatro. Hoje ele acredita que um trabalho de inclusão não significa apenas “incluir deficientes em atividades artísticas, mas também cada um de nós se incluir no universo deles, onde aprendemos muito.”

Este é seu terceiro trabalho de inclusão. Com Alessandro Antonio da Silva ele criou e dirigiu, em 2003, As Cidades e os Olhos, que contava com um elenco de deficientes visuais. Depois, em 2004, também com Alessandro, dirigiu Bricolage, espetáculo encenado por André Akira Horiuchi, ator com deficiência intelectual.

Olhares Guardados foi selecionado pelo Prêmio Myriam Muniz, patrocinado pela Funarte para montagens de espetáculos. Depois de estrear no FILO 2010, o espetáculo terá, em Londrina, uma temporada de oito dias, depois segue para apresentações em eventos e outros festivais do País.

Ficha Técnica

Companhia: Expressividade Cênica para Deficientes Visuais

Origem: Londrina (PR)

Produção, criação e direção: Paulo Braz

Atores: Flávio Cordeiro da Silva, João Durval, Marcos Santos, Sebastião Narciso e Tatiane Quadros
Trilha sonora – pesquisa, edição e operação: Jorge Fordiani
Iluminação – Criação e operação: Altair Souza
Cenário, adereços de cena e figurino: Paulo Braz
Cenotécnica: Yara Balboni
Assistente de produção e direção: Christiano Luiz França Ferreira
Colagem de textos de: Sebastião Narciso, Adauto Novaes, Evgen Bavcar, Maurice Maeterlinck, Paulo Leminski , Christiano Luiz França Ferreira e Andres Récio Beladiez

Serviço:

“Olhares Guardados”

Dia: 15 de junho

Local: Teatro FILO (Rua Cuiabá, 39)

Horário: 21h30

Duração: 45 minutos

Classificação: Teatro

Faixa Etária: Adulto – a partir de 12 anos

FILO 2010 – Festival Internacional de Londrina – De 10 a 27 de junho.
Realização: Àmen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Patrocínio: Petrobras, Prefeitura de Londrina, FUNARTE, Caixa Econômica Federal, Copel/Governo do Estado do Paraná, Governo Federal – Ministério do Turismo, Ministério da Cultura / Lei de Incentivo à Cultura. Ingressos: À venda no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310) – ponto exclusivo. Bilheteria: (43) 3344-6197
Informações: (43) 3324-9202.

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