Alberto Guzik e seu legado

27 jun

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Alberto Guzik (1944-2010)

Conheci Alberto Guzik quando ele estava de volta dos Estados Unidos, onde fez curso de teatro, e nos deu aula de Crítica Teatral na ECA (Escola de Comunicação e Artes). Éramos da segunda turma daquela escola, tendo prestado vestibular no ano de 1968. Foram explanações muito interessantes sobre o teatro e a crítica americanos. Um professor que regulava de idade com muitos dos alunos o que tornava suas aulas mais próximas e divertidas. Naquela época também foram seus alunos entre outros a Mariângela Alves Lima e o José Possi Neto.

Posteriormente tivemos aulas com o Sábato Magaldi que, ao invés de aulas teóricas, nos mandava criticar peças em cartaz, método que sempre usei quando lecionei crítica e que era bem menos agradável do que aulas do futuro grande crítico do Jornal da Tarde.

Seu mestrado sobre o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), TBC: Crônica de um Sonho, é um trabalho que tem o reconhecimento de todos os que conhecem o período dos anos 1950 e costuma ser consultado pelos alunos. Suas críticas durante do tempo do JT e Estadão, deveriam ser editadas para ficarem à disposição daqueles que pretendem conhecer o teatro posterior, sem se basear apenas nos mais que consagrados Décio Almeida Prado e Sábato. Ainda mais que ambos deixaram de escrever em jornais acompanhando as temporadas. Primeiro o Décio, no início dos anos 1960 e depois o próprio Sábato a quem Guzik substituiu com brilho.

Me lembro de ter sido dirigida por Alberto – ainda na graduação – numa peça chamada Marcelo e Marcela, eu é claro, era do coro. Depois de deixar a mídia impressa, Guzik se dedicou de maneira mais constante à atuação, integrando os grupo d’ Os Satyros e também a direção teatral.

Falta mencionar seu legado como autor que não é pouco. São peças extremamente bem escritas entre as quais destacaria Um Deus Cruel e nos brindou com um romance que depois adaptou para o palco Risco de Vida.

Creio dever a ele e a Aimar Labaki (então crítico da Folha) minha indicação para integrar a comissão do prêmio Shell de teatro, onde estivemos muitos anos juntos e nem sempre concordando com as indicações, como acontece a todos que votam em premiações bem como nos que se candidatam aos incentivos do tipo Fomento e Proac.

Guzik foi uma pessoa íntegra, sincera e competente em todas as atividades que exerceu, Sua morte foi uma grande perda para nosso querido teatro.

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