A possibilidade abala veredicto de “Doze Homens…”

26 jan

Crítica de Michel Fernandes para O Diário de São Paulo publicada dia 22 de janeiro de 2011

“12 Homens e Uma Sentença”, crédito Zineb Benchekchou

Em 1957, pelas mãos de Sidney Lumet, “Doze Homens e Uma Sentença”, de Reginald Rose, chegava às telas para perpertuar-se como clássico cinematográfico. Mais de 50 anos se passaram e, espantosamente, a crise ética impulsionada pelo texto de Rose parece ecoar velhas crises em novos tempos.

“É possível”, essa singela frase disparada por um dos personagens da peça, dirigida por Eduardo Tolentino de Araújo (notório diretor do Grupo TAPA), detona a ambiguidade do veredicto.

Doze componentes do corpo de jurados de um parricídio estão numa sala para efetivar a sentença. Num primeiro momento, pelo menos onze deles estão convictos de que o filho que havia discutido com o pai minutos antes do assassinato era o culpado pelo crime.

Mas para a condenação à morte é preciso unanimidade dos votos e eis que um dos jurados coloca a culpabilidade do réu em cheque. Esse é o estopim para que a semente da dúvida germine e revele os pré-julgamentos embutidos nas decisões anteriores.

O jogo hábil e de extrema sagacidade com que Rose instaura a dúvida mexe com o mais escuro da alma dos personagens que se modificam à medida que os argumentos que os solidificavam em suas certezas se desmancham feito casca de ovo.

Eduardo Tolentino de Araújo talvez seja o diretor mais capacitado para extrair nuanças da aridez prosaica, porém sublime, de “Doze Homens e Uma Sentença” e apresentar uma dinâmica rítmica minimalista, cuja base não esconde o viés do naturalismo com agudos acentos calcados numa visível elaboração dos tipos vividos.

Falar de um ator somente é ser leviano e injusto, o elenco – Genézio de Barros, Norival Rizzo, José Renato, Oswaldo Mendes, Eduardo Semerjian, André Garolli, Ricardo Dantas, Brian Penido, Augusto César, Marcelo Pacífico, Ivo Müller e Fernando Medeiros – está afinado pela batuta da coerência e estudo de cada intenção do texto.

"Doze Homens e Uma Sentença", eleito o Melhor Espetáculo de Teatro de 2010 pela APCA

Dentro dos trabalhos de composição dos personagens, com certa relevância para a expressão corporal e vocal, é possível verificar que as performances de André Garolli e Eduardo Semerjian são as composições mais evidentes.

12 HOMENS E UMA SENTENÇA – Duração – 100 minutos. Censura – 12 anos. Preço – R$15,00 inteira e R$7,00 (meia-entrada). Até 19 de dezembro de 2010. De quinta a sábado, às 19h30 e domingo, às 18h.. Temporada 2011 – 12 de janeiro a 06 de fevereiro de 2011. De quinta a sábado, às 19h30 e domingo, às 18h. Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. R. Álvares Penteado, 112, Centro. (11) 3113-3651 / 3113-3652. Estações Sé e São Bento do Metrô. Praças do Patriarca e da Sé. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física . Estacionamentos. R. da Consolação, 228 (Edifícos Zarvos) – R$ 10,00 pelo período de 5 horas. Necessário carimbar o ticket na bilheteria do CCBB. Transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) e na XV de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB. Informações -(11) 3113-3651/ 3313-3652.

2 Respostas to “A possibilidade abala veredicto de “Doze Homens…””

  1. Wagner 25 de fevereiro de 2011 às 11:41 PM #

    A peça é muito boa, acabei de assistir no teatro imprensa. Impressionante como numa trama com 12 personagens todos conseguem se destacar.

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