Célia Forte faz uma Ciranda na vida de mãe, filha e neta

29 jul

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Com Tania Bondezan e Daniela Galli e direção de José Possi Neto, novo texto da jornalista e dramaturga mostra como o destino pode aprontar ciladas em nossas vidas

Daniela Galli e Tania Bondezan em "Ciranda"

Um retrato do universo feminino tendo como foco 15 anos na vida de três mulheres da mesma família, a mãe, sua filha e a neta. Esse o argumento da nova peça de Célia Forte, Ciranda, em cartaz no Teatro Eva Herz até 28 de agosto, com Tania Bondezan e Daniela Galli dando vida a essas três mulheres de gerações distintas.

Nesse segundo texto teatral, Célia Forte debruça-se novamente sobre o mundo feminino. Se em Amigas, pero no mucho a rivalidade entre quatro amigas (interpretadas por atores) era o mote central, dessa vez a essência da discussão fica para as diferenças de visão de mundo entre mãe e filha e como o destino provoca verdadeiras cirandas na vida das pessoas.

Tudo acontece na casa de Lena (Tania), uma mulher libertária que vive até hoje a filosofia hippie dos anos 1960/70. O cenário de Fábio Namatame, que também responde pelo figurino, é rico em referência ao mundo psicodélico da moradora, o que deixa a filha Boina (Daniela) em pânico; as discussões entre elas são constantes. Boina (que odeia o nome dado pela mãe) é uma executiva bem-sucedida, casada com um americano e que tem uma filha pequena. Ela não entende a vida sem compromisso da mãe e sua eterna despreocupação com as finanças. Lena, por sua vez, adora a vida: tem sempre novos amores, bebe, fuma, se diverte. Mundos opostos, ou seja, mãe liberal e “bicho grilo” e filha conservadora e capitalista. Numa das ciladas do destino, elas são obrigadas a se separar e Lena passa a cuidar da neta. Passados 15 anos sem se verem, Boina volta para se reconciliar com Lena, mas a mãe já havia morrido e ela é obrigada a conviver com a filha, uma adolescente que reproduz o modo descompromissado de viver da avó.

Qual o limite de nosso tempo em comum?

As atrizes vivem personalidades opostas: no início o ponto de vista defendido por uma é atacado pela outra e na parte final a mesma atriz defende o que atacou no início da trama. Belo exercício de interpretação, em que tanto Tania como Daniela cumprem muito bem seus papéis, convencendo plenamente o público da verdade de seus personagens.

Gostaria de ressaltar dois argumentos do texto de Célia; o primeiro é a rivalidade feminina, muito comum na nossa sociedade. Parece que a mulher extrapola até a condição mãe e filha e vê na outra sempre uma rival. Entre pai e filho acredito que não haja tanta rivalidade como no mundo das mulheres. E outro ponto que me chamou a atenção na peça é quando a mãe confessa que não sabia “que já era o tempo da revisão”, do balanço de suas vidas. Será que temos noção do momento certo de revermos nossas convicções, nossas verdades, nossos sentimentos? Muitas vezes não sabemos a hora de ceder e desperdiçamos energia com brigas, intrigas e discussões. O entendimento e a chance de dizer ‘eu te amo’ muitas vezes escapam de nossas mãos!

Roterio:

Ciranda, de Célia Regina Forte. Direção: José Possi Neto. Elenco: Tania Bondezan e Daniela Galli. Cenário e figurino: Fábio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Trilha Sonora: Tunica Teixeira e Aline Meyer. Assistente de direção: Eduardo Santiago. Preparação corporal: Vivien Buckup. Pintura de adereços: Antonio Ocelio de Sá Alencar e Jady Forte. Fotos: João Caldas.Produtora: Selma Morente
Serviço: Teatro Eva Herz (166 lugares), Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional. Informações:             (11) 3170-4059       – www.teatroevaherz.com.br. Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h. Ingressos: Sexta R$ 40; Sábado e Domingo R$ 50. Bilheteria: terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque. Vendas pela internet: www.ingresso.com. Vendas por telefone: 4003-2330. Duração: 80 minutos. Classificação Etária: 12 anos. Temporada: até 28 de agosto.

Uma resposta to “Célia Forte faz uma Ciranda na vida de mãe, filha e neta”

  1. Maria celia 20 de novembro de 2011 às 12:16 PM #

    Assisti a peça com a minha filha.meu Deus como nos identificamos! através de risos e lágrimas,posso garantir que estávamos no lugar na hora certa muito obrigada a tods envolvidos neste lindo trabalho, quanto a interpretação das atrizes, sem palavras. Vocês são otimos!

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