Cia. do Feijão apresenta seu Enxurro de graça

26 ago

Redação do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Enxurro" - foto de José Romero

A dimensão utópica faz parte da linha de frente da pesquisa temática escolhida pela Companhia do Feijão que, a partir de hoje, apresenta o espetáculo Enxurro, de graça, às 21h, na sede da companhia.

Enxurro é uma rapsódia cênica criada a partir de estímulos literários, cênicos e musicais de diversos autores e épocas, em torno de temas relacionados ao momento de transição civilizatória por que passamos.

Numa corrente caleidoscópica, entrecruzam-se de maneira simbólica: anomalias, assombros, cumplicidade, devastação, encontros, espelhos, inspirações, mentiras, poder, radicalismo, reação, reconstruções, reencontros, resistência e horizontes. Esboços de um vir-a-ser.

A pesquisa

A pesquisa da Companhia do Feijão sobre o grande tema da Utopia se desdobra e multiplica desde 2006:

Numa primeira fase, tratando desse tema sem saber ao certo se era dele que falávamos, surgiu Pálido Colosso (2007), onde buscamos retratar os últimos 50 anos da história do Brasil, nos deparando ao final com o encurralamento do presente.

Num segundo momento, uma tentativa de olhar para o futuro. O acomodamento pragmático no jogo mercadológico de nossa classe política, cuja formação esteve no foco deste estudo, porém, nos jogou novamente para o universo destópico: novo estreitamento de horizontes. Deste processo resultou o espetáculo Veleidades Tropicaes (2009).

Agora, com Enxurro, foi a vez de experimentos cênicos que aglutinassem ao mesmo tempo reflexões sobre nosso passado próximo, nosso presente e nosso futuro: após a desesperança, a busca por novas possibilidades.

Como uma ação de resistência artística de nosso grupo contra toda a melancolia que sobrevoou, e sobrevoa com suas negras asas das impossibilidades a ousadia de se tocar neste tema – num momento histórico em que praticamente todas as utopias são dadas como mortas e sem possibilidade de recuperação –, pretendeu-se um enfrentamento quimérico.

"Enxurro" - foto de José Romero

Foi um longo processo de questionamentos e experimentações, individuais e grupais, pensando o grupo como uma pequena sociedade que de certa forma espelha a maior onde se insere. O que nos levou a revisões e transformações na estruturação do trabalho criativo e organizacional coletivo, aceleradas pelo incontornável embate entre poder e sociedade.

Impregnado destes motivos, Enxurro aparece como uma corrente onde sobrenadam, errantes, fatos impossíveis, avessos, coisas que não aconteceram e também o fantástico do que um dia pode acontecer. Pretendendo que esta experiência sensibilize àqueles que conosco venham a dividi-la a pressentir, por sua vez, outras formas.

Esta foi uma trajetória que teve no onírico, no fantástico, ao mesmo tempo suas raízes e o seu caminho, a partir de materiais literários, plásticos e musicais de origens variadas quanto a épocas, autores e territórios. Que se inspirou no poema de Drummond, que prefere continuar caminhando pelas estradas pedregosas e íngremes das montanhas (“…que faz destes caminhos, destas pedras homens e deste barro humanidade, de onde viemos e para onde voltaremos, desta rude matéria-prima, matéria bruta de sonhos, de esperança…). Que prefere isto a ver-se perdido, acabado, nas impossibilidades concretas da máquina do mundo que tudo “sabe” e calcula acerca da alma humana.

Que não ser perfeitos não nos impeça de buscar outras visões artísticas, para além da ingenuidade combatida por teorias surradas. Seria a forma de assumirmos novos riscos, da condição fantástica de andarmos com a cabeça nas nuvens sem tirar os pés do chão. Um diálogo que revele, se tivermos sorte, o contraditório, a pequenez dos homens-máquina pragmáticos, finitos em sua existência, em seu cientificismo, em suas regras de três, versus a possibilidade de sonhar algo diferente.

Um sonho bem sonhado, que faça parte do irrealizável, da potência da imaginação se revelando no contraste com a limitação do “fabuloso mundo real” da imaginação tratada como mercadoria, do sonho limitado ao consumo irresistível. Amplo, livre de dogmas, fundamentalismos, esquemas e projetos acabados – ideologias finitas que vendem libertação e entregam opressão.

FICHA TÉCNICA

ENXURRO

Criação: Companhia do feijão

Materiais cênicos, plásticos e musicais inspirados em: Abba, Adélia Prado, Alfredo Le Pera, Antoine de Saint-Exupéry, Astor Piazzolla, Bertold Brecht, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Gardel, Jards Macalé, Johann Wolfgang von Goethe, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Kurt Weill, Manu Chao, Mário de Andrade, Murilo Rubião, Nuno Ramos, Petronio Nascimento, Sófocles e nossas existências.

Companhia do feijão: Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Guto Togniazzolo, Pedro Pires, Vera Lamy e Zernesto Pessoa

Colaboração artística e técnica: Arieli Marcondes, Bira Nogueira, Edu Garudah, Ieltxu Martinez Ortueta, José Romero, Patricia Barros e Paulo Reis

Agradecimentos: Fabrício Muriana, Juliene Codognotto e Maurício Alcântara

SERVIÇO

Espetáculo: Enxurro

Abertura das portas: 26 de agosto de 2011, sexta-feira, 21h

Temporada: tempo indeterminado

Dias e horários: sextas e sábados às 21h, domingos às 19h

Ingressos: GRÁTIS

Distribuição: por ordem de chegada na bilheteria, aberta uma hora antes das apresentações

Reservas: não há

Lotação: 40 lugares

Duração: 75’

Observação: no fim de semana de 9, 10 e 11 de setembro não haverá apresentações, por conta de viagem da companhia.

Local: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima 68, República – (11) 3259.9086

Lembretes: espaço sem ar-condicionado, sem estacionamento, sem cantina.

www.companhiadofeijao.com.br

Este projeto foi contemplado pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE no Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2010.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: