Chegou a vez de Porto Alegre recepcionar o Théâtre Du Soleil

30 nov

Luís Francisco Wasilewski, especial  para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Na foto: Andreas Simma, Pauline Poignand, Astrid Grant, Vincent Mangado, Ana Amélia Dosse, Serge Nicolaï, Armand Saribekyan, Sylvain Jailloux, Vijayan Panikaveettil - foto de Michèle Laurent

PORTO ALEGRE – Há exatos quatro anos o Théâtre du Soleil encantou o público gaúcho com as apresentações do espetáculo Os Efêmeros (Les Éphémères), durante o 14º Porto Alegre em Cena. Na ocasião, foi construída uma réplica da Cartoucherie, sede oficial do grupo em Paris, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. Agora, Ariane Mnouchkine volta ao sul do Brasil para apresentar Os Náufragos da Louca Esperança (Les naufragés du Fol Espoir), de 6 a 11 de dezembro, na Cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul.

Os Náufragos da Louca Esperança (Les naufragés du Fol Espoir) é uma criação coletiva do Théâtre du Soleil, escrita em parceria com Hélène Cixous a partir de ideia e encenação de Ariane Mnouchkine. A história é livremente inspirada num romance póstumo de Júlio Verne. Rio de Janeiro e São Paulo assistiram ao espetáculo, nos meses de outubro e novembro.

No Rio Grande do Sul, a peça cumpre temporada de 6 a 11 de dezembro no Parque Eduardo Gomes, em Canoas. Os ingressos para estas apresentações começaram a ser vendidos no dia 28 de novembro, às 9h, pelo site www.ingressorapido.com.br e pontos de venda desta empresa (serviço abaixo).

Os náufragos do Jonathan, escrito por Júlio Verne no final do século XIX, motiva o mais recente espetáculo do Théâtre du Soleil, companhia francesa dirigida por Ariane Mnouchkine e formada por atores de variadas nacionalidades. Composto por duas narrativas paralelas, Os Náufragos da Louca Esperança (Auroras) apresenta, inicialmente, momentos anteriores à eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando pessoas fascinadas pelo cinema reuniam-se na guinguette Fol Espoir, onde desejavam filmar a ficção criada por Verne.

"Os Náufragos da Louca Esperança", com o Théâtre du Soleil - foto de Michèle-Laurent

Nessa narrativa, ainda que alterados os lugares de origem e destino, emigrantes saem do Reino Unido a fim de alcançar a Austrália, mas, ao atingir as fronteiras da Patagônia, naufragam. Ali, os europeus enfrentariam os desafios da natureza e tentariam estabelecer, em meio ao isolamento, uma sociedade mais justa, igualitária e de inspiração socialista.

O Théâtre du Soleil

Ariane Mnouchkine, nascida em 3 de março de 1939 em Boulogne-sur-Seine, é diretora de teatro e da companhia Théâtre du Soleil, que ela fundou em 1964 com seus companheiros da ATEP (Association Théâtrale dês Étudiants de Paris).

Em 1970, o Théâtre du Soleil cria 1789 no Piccolo Teatro de Milão, onde Georgio Strehler acolhe e apoia com confiança a jovem companhia, que em seguida se instala na Cartoucherie, antigo edifício militar, abandonado e isolado no bosque de Vincennes, às portas de Paris. O Théâtre du Soleil concebe imediatamente a Cartoucherie como um local que permita abandonar o parâmetro de teatro como instituição arquitetural, tomando partido do abrigo em vez do edifício, numa época em que as transformações urbanas na França subvertem profundamente o lugar do humano e a posição do teatro dentro da cidade. O grupo encontra na Cartoucherie o instrumento concreto de criação do teatro, tanto erudito como popular.

Assim a companhia se torna, a partir dos anos 1970, uma das principais da França, tanto pelo número de artistas que abriga (mais de 70 pessoas ao longo do ano), como por sua projeção nacional e internacional.

Ligada à ideia de “grupo de teatro”, Ariane Mnouchkine estabelece a ética do grupo sobre regras elementares: os profissionais formam um todo só, todos recebem o mesmo salário e o conjunto da companhia se envolve no funcionamento do teatro (manutenção diária, acolhimento do público no momento do espetáculo).

O Théâtre Du Soleil é um dos últimos grupos de teatro a funcionar como tal hoje na Europa.

Sobre o Théâtre Du Soleil e Os Náufragos da Louca Esperança, diz Ariane Mnouchkine: “Adoro o cinema. Um dia talvez, em algum de nossos espetáculos, haverá cinema, uma personagem que vai ao cinema ou ficará vendo imagens cinematográficas. Mas não se trata de tentar rivalizar com o cinema […] Faço teatro, amo o teatro. Se um dia o cinema estiver em cena, se um dia alguma personagem estiver olhando para uma tela, essa personagem só permanecerá no palco caso se torne teatral e se o cinema estiver no papel de ator de teatro.”

Os Náufragos da Louca esperança (Auroras)

Uma criação coletiva do Théâtre Du Soleil

Escrita em parceria com Hélène Cixous e inspirada num misterioso romance póstumo de Júlio Verne

Encenação de Ariane Mnouchkine

Música de Jean-Jacques Lemêtre

Duração: 3h45min

Classificação etária: 14 anos

Ficha técnica

Elenco feminino:

Eve Doe-Bruce

Juliana Carneiro da Cunha

Astrid Grant

Olivia Corsini

Paula Giusti

Alice Milléquantt

Dominique Jambert

Pauline Poignand

Marjolaine Larranaga Y Ausin

Ana Amelia Dosse

Judit Jancso

Aline Borsari

Frédérique Voruz

Gabriela Rabelo

Elenco masculino:

Jean-Jacques Lemêtre

Maurice Durozier

Duccio Bellugi-Vannuccini

Serge Nicolai

Sebastien Brottet-Michel

Sylvain Jailloux

Andreas Simma

Seear Kohi

Armand Saribekyan

Vijayan Panikkaveettil

Samir Abdul Jabbar Saed

Vincent Mangado

Sébastien Bonneau

Maixence Bauduin

Jean-Sébastien Merle

Seietsu Onochi

Jean-Jacques Lemêtre – trilha sonora

Ariane Mnouchkine – idealizou o espaço do espetáculo executado por Everest Canto de Montserrat

Charles-Henri Bradier – assistente de direção

Lucile Cocito – assistente de direção (colaboração)

Serge Nicolaï, Sébastien Brottet-Michel, Elena Antsiferova, Duccio Bellugi-Vannuccini, Andreas Simma, Maixence Bauduin – cenografia

Elsa Revol, Hugo Mercier e Virginie Le Coënt – criação e operação de luz

Yann Lemêtre, Thérèse Spirli e Marie-Jasmine Cocito – criação de som

Nathalie Thomas, Marie Hélène Bouvety, Annie Tran, Simona Grassano e Cecile Gacon – criação de figurinos, com a colaboração do elenco

Danièle Heusslein-Gire – pintou as telas do espetáculo

Adolfo Canto Sabido, Kaveh Kishipur, David Buizard, Johann Perruchon e Jules Infante – construções em metal e madeira

Elena Antsiferova – acessórios de cena

Vincent Mangado e Dominique Jambert – acastelagem e mastreação

Erhard Stiefel – blocos de gelo e iceberg

Paula Giusti – reconstituiu câmeras

Olivia Corsini, Aline Borsari, Ana Amelia Dosse, Alice Milèquant, Martha Kiss Perrone – confecção da grande banquisa

Sylvain Jailloux – regulação de chassis

Andrea Marchant e Ebru Erdinc – canhões e cabines de luz

Naruna de Andrade e Pedro Guimarães – tradução

Marie Constant e Judith Marvan Enriquez – operadores de legendas

Dominique Lebourge – piso e cenário

Everest Canto de Montserrat – técnica

Etienne Lemasson – informática e organização

Claire Van Zande e Pierre Salesne – administrativo

Liliana Andreone, Sylvie Papandréou, Marian Adroher Baús e Svetlana Dukovska – relações públicas

Franck Pendino – questões editoriais

Karim Gougam, Augustin Letelier e Julia Marin – chefes de cozinha

Thomas Félix-François e Catherine Schaub-Abkarian – cartazes e programa

Marc Pujo – fisioterapeuta

Martine Franck e Michèle Laurent – Fotógrafos

Os náufragos da louca esperança – Uma criação coletiva do Théâtre du Soleil

De 6 a 11 de dezembro, 20h – Parque Eduardo Gomes – Canoas

Av. Guilherme Schell, 3.600

Via Trensurb – Estação Fátima

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