Projeto Satyros Satyricon retoma trilogia sobre obra de Petrônio

11 ago

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplausobrasil.com)

Projeto Satyros Satyricon está de volta

SÃO PAULO – Atendendo a pedidos do público, a partir de hoje, está de volta o projeto Satyros Satyricon cuja proposta propõe um mergulho sobre a obra de Petrônio por meio da trilogia Trincha, Satyricon, a Peça e Suburra (CONFIRA O SERVIÇO AO FINAL DA MATÉRIA).

Em entrevista concedida ao Aplauso Brasil, Rodolfo García Vázquez fala mais sobre a trilogia.

Aplauso Brasil – Como surgiu a ideia de encenar Petrônio?

Rodolfo García Vázquez – Na verdade, desde a fundação do grupo tínhamos a questão do Satyricon. Logo em um dos nossos primeiros trabalhos, Saló Salomé, um crítico havia dito que a atmosfera do espetáculo lembrava o Satyricon de Fellini. Três anos atrás, durante uma temporada nossa no Rio de Janeiro, um espectador carioca nos lançou uma provocação. Ele comentou que a obra de Petrônio dialogava profundamente com algumas questões presentes no trabalho do grupo. Achamos interessante o desafio e começamos a encontrar a nós mesmos em Petrônio.

Projeto Satyros Satyricon está de volta

AB – O que você e o grupo desejavam abordar que encontraram em Satyricon?

Rodolfo García Vázquez – A questão da escravidão contemporânea, a luta pela sobrevivência, a busca desenfreada pelo prazer, as possibilidades inúmeras do amor… tudo isso vemos em Petrônio e em nós. Tentamos mais de cinco editais diferentes e todos nos negaram a possibilidade de fazer o trabalho. No final das contas, acabamos assumindo a montagem por nosso próprio risco.

AB – Por que da divisão em três partes?

Rodolfo García Vázquez – Nossa investigação inicial estava focada na performatividade. O trabalho se dirigia para algo bastante distante do texto de Petrônio. No entanto, havia algo de maravilhoso naquelas palavras tão antigas que também não poderíamos negar. Buscamos, assim, abordar o tema Satyricon através de três espetáculos distintos, formando uma Trilogia.

AB – O que você pretende abordar em cada uma delas? Assistindo a uma dela é necessário assistir a todas para entender cada uma?

Rodolfo García Vázquez – Uma dessas partes, Satyricon a peça, tem o formato do teatro tradicional, com a criação de personagens e situações, estabelecendo pontes entre o texto de Petrônio, a nossa realidade de Praça Roosevelt e os debates intensos da Sociedade do Espetáculo e do conceito de Multidão. Evaldo Mocarzel fez uma belíssima junção de todas estas discussões e nos proporcionou um texto de excepcional atualidade. Os dois outros espetáculos, no entanto, não tem a forma de teatro tradicional e buscam proporcionar ao espectador  uma série de estímulos visuais, sonoros, corpóreos, para o levar a viver uma experiência teatral. Trincha é um espetáculo de 45 minutos composto por uma instalação cênica de 400 m² e 40 atores com ações simultâneas. O espectador visita a instalação e cria seu percurso estético durante esse tempo. A instalação trata da vida no Império globalizado de hoje, onde línguas e figuras se mesclam com as dificuldades de comunicação. Suburra parte da ideia de uma balada cênica. Suburra foi o maior bairro de prostituição da Antiguidade, e estava localizado em Roma na época de Petrônio. A ideia desta balada é a comemoração irônica da “ginástica para a libertação dos escravos do século XXI”. Através de performances, happenings, canções e danças multiculturais, público e atores constroem estes espetáculo único.

AB – Essa encenação, também uma nova linha de pesquisa, coloca em recesso a pesquisa sobre o Teatro Expandido?

Rodolfo García Vázquez – Ao contrario, um dos aspectos fundamentais da reflexão sobre o Teatro Expandido é justamente de que o teatro não pode mais se limitar às formas tradicionais. O diálogo com outras artes, em especial a performance, a dança e as artes visuais, está nos levando a investigar possibilidades novas de manifestações teatrais. Trincha e Suburra fazem parte dessa investigação. O teatro expandido também é um teatro líquido, que se molda a novas formas e possibilidades, em um mundo em que todas as fronteiras tornam-se mais e mais flexíveis.

Satyros’ Satyricon

Trincha
Sinopse
: Uma instalação performática que reproduz a vida no submundo das grandes cidades. Um encontro de indivíduos conectados por redes e tecnologias em um sistema funcional e conectado
Quando: sábados e domingo, às 20h
Quanto: R$ 10,00 e R$ 5,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade, Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 120 lugares
Duração: 40 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: de 11 de agosto a 25 de novembro

Satyricon
Sinopse:
três ex-gladiadores formam um triângulo amoroso e fazem malabarismos para conseguir sobreviver. Os personagens frequentam do submundo às festas da elite romana se prostituindo e cometendo furtos, em busca da sobrevivência diária
Quando: sábados e domingos, às 21h
Quanto: sábados: R$ 30,00 / R$ 15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)

Domingos: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)

Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: de 11 de agosto a 25 de novembro

Suburra
Sinopse:
A festa dos escravos do Século XXI. Uma rave teatral em que o público é convidado a participar das performances dos atores. Assuntos relativos ao trabalho são proibidos.
Quando: sábados, às 23 h
Quanto: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: De 11 de agosto a 25 de novembroa

2 Respostas to “Projeto Satyros Satyricon retoma trilogia sobre obra de Petrônio”

  1. Renata 12 de agosto de 2012 às 12:21 PM #

    Michel, um toque: “Atendendo a pedidos” não tem crase.
    Ótima matéria!

    • michelfernandes 17 de agosto de 2012 às 12:23 AM #

      brigadissimo querida!

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