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Espectador ganha o centro do palco em Cartas de Amor – Electropoprockoperamusical

2 dez

Maurício Mellone* (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Depois de se apresentar em Brasília e Rio de Janeiro no ano passado, o espetáculo chega à cidade para duas temporadas no CCBB, a primeira até o dia 15 de dezembro e no ano que vem, de 11 de janeiro a 2 de fevereiro

"Cartas de Amor - Electropoprockoperamusical" - foto Guga Melgar

SÃO PAULO – Uma experiência inusitada: o espectador entra no teatro do CCBB-SP e é encaminhado para o centro do palco, com pequenos módulos dispostos aleatoriamente no espaço, com folhas secas jogadas no chão. Ao redor, quatro telões de vídeo e dois quartos, cada um com cama e uma pequena estante com monitor de vídeo. Os atores recebem as pessoas e indicam onde devem se sentar. Percebe-se então que o público fica onde seria a sala daquela casa semi-abandonada. Aos poucos, os atores se dirigem aos espectadores e recitam pequenos versos de amor ao pé do ouvido. Pronto, o clima está estabelecido para que Cartas de Amor – Electropoprockoperamusical tenha início.

As 14 instalações musicais — rock, pop, MPB— tratam de relações amorosas e conduzem a peça. O roteiro e as letras das músicas, de Flavio Graff, foram criados a partir de histórias encontradas em cartas de amigos dos componentes do grupo, em feiras de antiguidades, além de poemas e referências pessoais de Graff, que também assina a direção ao lado de Emílio de Mello. Continue lendo

O feminino em Chico Buarque

15 out

Edson Júnior, especial para o Aplauso Brasil (Edson@aplausobrasil.com)

Lucinha Lins, Virgínia Rosa e Tania Alves em "Palavra de Mulher"

SÃO PAULO – As vozes femininas de Chico Buarque ganham a cena em Palavra de Mulher, um recorte preciso do universo feminino na obra do principal compositor da música popular brasileira, em cartaz no teatro Cleyde Yáconis até 23 de outubro.

Inicialmente concebido para Virgínia Rosa, o espetáculo conta agora com a participação de Tânia Alves e Lucinha Lins que, em atuações teatrais, interpretam canções compostas para personagens femininas no teatro, cinema e balé.

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Teatro de graça no CIEE

9 set

Redação do Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

"A Aurora da Minha Vida", de Naum Alves de Souza, dirigido por Bárbara Bruno tem apresentações gratuitas no Teatro da CIEE

O Teatro CIEE recebe, a partir de amanhã (10), a temporada, gratuita, de A Aurora da Minha Vida durante todos os sábados, 20h, e domingos, 19h. Com coreografia de Paulo Goulart Filho, a peça tem direção de Barbara Bruno, texto de Naum Alves de Souza, cenário e figurino de Marcello Jordan e Naum Alves de Souza e trilha originalmente composta e direção musical do Maestro Amalfi.

A Aurora da Minha Vida se passa dentro de uma sala de aula em uma escola dos anos 1970. É baseada na própria experiência do autor como aluno e professor.

“Dividida em vários quadros, a peça mostra as relações e conflitos entre alunos e professores e o sistema escolar repressor e antidemocrático de uma maneira leve e divertida. Tudo vem à tona nos personagens denominados por suas características ou funções: diretor, padre, professor e os alunos, num tempo de grandes revoluções, de desejo de liberdade e de muita palmatória para o próprio bem. É uma obra sobre a crueldade das relações, mas envolvida numa capa de poesia criada pelo humor muito singular de Naum e, sobretudo, pelo âgulo saudoso através do qual ele enfoca o passado”.

No elenco estão Clarissa Mayoral, Clóvis Gonçalves, Eliete Ciggarini, Gilmar Guido, Rafael Melo, Roberto Arduin, Salete Fracarolli e Vanessa Goulartt. Continue lendo

A Crítica Teatral Jornalística: Qual Seu Papel?

24 set

Michel Fernandes*, especial para o Jornal de Teatro (michel@aplausobrasil.com)

*Artigo escrito para a edição número 11 do Jornal de Teatro 

Sábato Magaldi, crítico e pesquisador de teatro

Sábato Magaldi, crítico e pesquisador de teatro

 

Na edição número 8 do Jornal de Teatro

, o editor Rodrigoh Bueno, registrou em seu editorial um justificado espanto com a conversa de alguns críticos de teatro, que estavam na mesma van que ele, num determinado festival de teatro. Segundo Rodrigoh, tais críticos não gostaram do espetáculo que tinham visto, mas teriam de “pegar leve” em seus textos, pois o espetáculo levava a assinatura de um “figurão”.

 

Deprimente saber que a autocensura dos que não têm coragem para assumir suas posições frente a uma peça – por medo de desagradar a alguém cuja carreira é coroada por sucessos ou aos artistas que, em sua trajetória, compilaram um exército de amigos influentes – exista e seja mais praticada do que sonha nossa vã filosofia.

 E, além dessa ideia equivocada e que atravanca a reflexão – absolutamente necessária – para os avanços estéticos de nosso teatro, há um grupo de pessoas que lidam, direta ou indiretamente com a crítica teatral, que abre concessões a espetáculos de iniciantes com a justificativa de que é preciso incentivá-los.

 Em artigo de Sábato Magaldi lemos que a crítica comete muitos erros de avaliação, mas são equívocos necessários para propagar a reflexão acerca dos novos fenômenos teatrais, ponto que vai de acordo com as ideias da dramaturga Marici Salomão, de que a crítica é uma das bases da percepção, discussão e difusão de novos caminhos das artes cênicas.

 Não quero com esse texto glorificar a atividade de crítico teatral, que exerço aqui no Aplauso Brasil, seria no mínimo pedante e pretensioso de minha parte, mas, antes, reconhecer a responsabilidade que carregamos ao assinar nossos artigos críticos e, por isso mesmo, nos entregarmos à dúvida, ao questionamento constante. Em lugar do autoritário “isso pode” e “isso não pode”, reconhecer que o teatro é território livre, em que quaisquer experimentações são possíveis e que, concordando ou discordando do fenômeno teatral que se critica, é necessário o embasamento teórico e de experiências, vividas ou apreendidas em leituras, para se tecer o texto que, aliás, nada deseja ser definitivo, mas, tão-somente, uma alavanca para a discussão sobre tal fenômeno, já que segundo diz o diretor inglês Peter Brook “o verdadeiro bom teatro só tem inicio ao cair do pano”.

 É preciso refletir sobretudo, “o que é?” e “para quem é dirigida?” a crítica teatral. É preciso diferenciar a crítica teatral dos materiais de divulgação de um espetáculo.

 PRIMEIROS PASSOS PARA UMA BOA CRÍTICA Continue lendo