Tag Archives: corveloni

Um Molière redivivo

11 fev

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Peça mostra dilemas da vida de autor francês

Com direção de Sandra Corveloni e Guilherme Sant’Anna na pele do autor, a Companhia D’Alma faz um panorama da efervescente trajetória pessoal e artística de Molière, em L’Illustre Molière

SÃO PAULO – Ao entrar, o público já encontra os atores em cena, preparando-se para o início do espetáculo. Esta é a primeira surpresa da montagem L’Illustre Molière, que abre a temporada 2012 do Teatro do Sesi: à frente da Companhia D’Alma, a diretora Sandra Corveloni usa de metalinguagem ao apresentar os atores interpretando os componentes da companhia de Molière, no palco do Teatro Ilustre, que o dramaturgo francês apresentava suas comédias em pleno século XVII, em Paris. Aos poucos a plateia compreende a brincadeira: os atores entram e saem de cena, às vezes estão na pele dos personagens das peças de Jean-Baptiste Poquelin, o Molière, e em seguida voltam à dura realidade de manter uma companhia de teatro funcionando a plenos vapores. Neste vai e vem, o espetáculo faz um grande painel da obra de Molière, com trechos de várias de suas peças, além de contar a rica e efervescente trajetória artística e pessoal do dramaturgo francês.

Fotos de Ronaldo Gutierrez


Mesmo retratando uma realidade do século XVII, a obra de Molière é atual e muito próxima do homem dos nossos tempos. De acordo com a diretora, “o dramaturgo dialoga com a nossa época, pois seus personagens são cínicos, autoritários, frágeis, inseguros, além de ambiciosos por fama, dinheiro e status social a qualquer preço. Podemos reconhecer que isso não mudou muito”, argumenta Sandra. Continue lendo

Side Man evidencia as agruras da profissão dos artistas

30 jun

Kiko Rieser, especial para o Aplauso Brasil

"Side Man", em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso

O processo de feitura de uma obra de arte é premido por diversas circunstâncias que não concernem somente ao criador, mas que dizem respeito ao mundo mercantil em que a obra se inserirá. Profissão difícil e preterida pelos grandes poderes políticos e econômicos, a arte sempre passa por enormes dificuldades para conseguir se sustentar e se divulgar.

Em formas de manifestação artística mais artesanais, como o teatro, é muito comum um espetáculo chegar a ser inviabilizado por falta de dinheiro. Diversos artistas acabam precisando de uma profissão paralela para se manter e muitos dos que não a têm passam por inúmeros momentos de incerteza quanto a um futuro próximo, sempre sujeitos às instabilidades de um mercado exíguo e, muitas vezes, paternalista.

Quem vê uma obra de arte pronta pode não imaginar tudo que a envolve, não conseguindo, deste modo, vê-la em sua completude. Torna-se mister, portanto, evidenciar ao público leigo o que há por trás do mundo muitas vezes idealizado que cerca a arte e os artistas, tarefa essa que cumpre o espetáculo Side Man.

O ator Otávio Martins

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Esse Tolentino do TAPA e suas crias incansáveis

28 set

Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)  

 

Grupo Gattu apresenta <i>Doroteia</i>

Grupo Gattu apresenta Doroteia

 

Antes de ocupar-nos com as montagens de Doroteia , pelo Grupo Gattu. e de O Livro dos Monstros Guardados, pelo Núcleo Experimental, vale lembrar o quanto o teatro paulista deve, qualitativamente, ao diretor (carioca, pois é!) Eduardo Tolentino de Araújo, desde quando o Grupo TAPA (carioca, pois é!) por aqui aportou, sediando-se no Teatro Aliança Francesa.

Foram anos e anos de sucessivas montagens de grandes autores, nossos ou estrangeiros, obedecendo a um padrão estético rigoroso, que une a preocupação, digamos, apolínia do uso da cena, com decidido comprometimento social-político.

 Se boa parcela do público só tardiamente descobriu o TAPA, só agora lotando as platéias de qualquer canto da cidade, nós, da crítica, sempre estivemos atentos em reconhecer-lhe o mérito, cobrindo-o, em sua já longa trajetória, com incontáveis  troféus.

 A convivência de muitos jovens atores com os métodos conceptivos de Tolentino criou uma nova geração de diretores, conscientes, todos, da total entrega dos seus talentos para atingir a excelência do resultado. Basta lembrar os vigorosos espetáculos engendrados por André Garolli, Denise Weinberg e Brian Penido Ross, em diferentes grupos, aos quais juntam-se os nomes de Zé Henrique de Paula e Eloísa Vitz merecendo a atenção de todos, crítica e público.