Tag Archives: eu

Monólogo retrata o universo de Jorge Luis Borges

23 maio

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Eu vi o Sol brilhar em toda a sua glória"Em Eu vi o Sol brilhar em toda a sua glória, João Paulo Lorenzon criou e protagoniza o espetáculo baseado na obra e vida do escritor argentino

SÃO PAULO – João Paulo Lorenzon acaba de estrear no SESC Consolação, Espaço Beta, o monólogo Eu vi o Sol brilhar em toda a sua glória, seu segundo trabalho que tem como cerne o universo do escritor argentino Jorge Luis Borges. Em 2008 o ator encenou Memória do Mundo, que focava a solidão como fonte de prazer e criatividade. Desta vez, Lorenzon se dedicou durante dois anos à pesquisa sobre a vida e a obra de Borges e no monólogo, baseado em imagens de contos, poemas e dados biográficos do escritor argentino, ele propõe uma reflexão sobre a memória e o esquecimento, a luz e a cegueira, o sonho e a realidade, sobre as perdas e, principalmente, sobre a vida e a morte, temas bem comuns ao universo borgeano.

Ao entrar na sala de espetáculos, o espectador é conduzido a experimentar sensações; na penumbra, as pessoas precisam caminhar entre blocos de concreto até chegar às cadeiras. A pouca iluminação, em seguida, é apagada para que o ator inicie sua fala. O breu coloca o espectador na mesma condição da cegueira, que Borges vivenciou durante anos, até sua morte. Fiz questão de fechar os olhos para intensificar a experiência proposta pela montagem: a poesia e o clima de introspecção do autor calam fundo graças à voz potente e expressiva de Lorenzon. Continue lendo

Com ótima direção de Ewerton de Castro, vale ver

20 mar

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Eu sei que vou te amar"

SÃO PAULO – Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor já foi filme, já foi livro, peça de sucesso com Alexandre Borges e Júlia Lemmertz, e, agora, ganha nova adaptação – um tanto quanto estranha – para o teatro assinada por Francisca Braga, em cartaz quartas e quintas no Teatro Augusta.

Realmente a peça dá certo graças à direção de Ewerton que também assina a cenografia e trilha. Apesar de bom elenco formado pela bela Lígia Paula Machado e o eficiente Daniel Morozetti, pelo menos as mulheres assistem muito distanciadas a um texto que parece ignorar as características femininas. Continue lendo

Eu Te Amo: filme de Arnaldo Jabor ganha montagem teatral

11 jan

Maurício Mellone* (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Eu te Amo"

Os cineastas e diretores Rosane Svartman e Lírio Ferreira fazem sua estreia no teatro com texto que teve a primeira versão no cinema. Alexandre Borges e Juliana Martins vivem os personagens que buscam se reencontrar no amor

SÃO PAULO – Se pudesse definir numa única frase a nova montagem da peça de Arnaldo Jabor, Eu Te Amo, em cartaz no Teatro Folha, seria esta: do cinema para o palco e, no palco, a interação com a sétima arte. E não poderíamos esperar outra coisa, já que os diretores da peça, Rosane Svartman e Lírio Ferreira, são cineastas e estão debutando no teatro; por sua vez, o autor fez a primeira versão desta trama para o cinema, em 1981 com Sônia Braga e Paulo César Pereio nos papéis centrais. A trama pulou para o palco sete anos depois, com Bruna Lombardi e Paulo José.

Desta vez, Maria e Paulo, personagens frustrados emocionalmente, são vividos por Juliana Martins e Alexandre Borges. Para deixar a trama contemporânea, os diretores fizeram com que os dois se encontrassem numa sala de bate-papo da internet: Paulo é um cineasta em crise depois que sua mulher, a protagonista de seu filme, fugiu com o diretor de fotografia e Maria cansou da relação que mantém com um homem casado e resolve transar “com o primeiro homem que aparecer”.

Eles mentem e no primeiro encontro ela se passa por garota de programa e ele por um cineasta famoso e premiado. As máscaras caem logo depois da primeira transa entre eles. Continue lendo

“Alegres Humoristas” versus “Tristes Piadistas”

10 nov

Afonso Gentil*, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Marcelo Médici e Ricardo Rathsam na hilária "Eu Era..."

SÃO PAULO – Nossa vã filosofia jamais iria supor que o humor fosse virar caso de polícia. Consequência lógica do assustador uso da linguagem chula, da atitude cafajeste e do excesso de escatologia ao gosto de adolescentes, que dominam a maioria dos shows (?) da chamada Comédia em Pé (Stand Up-comedy)? Com certeza: muitos desses piadistas brotam da Internet com a rapidez dos coelhos,  minando a saúde do riso.

Bom lembrar que espetáculo solo, de um comediante de fato, tem toda uma logística de encenação que vai muito além da “roupa do corpo” e do microfone, a começar por um texto cuidadosamente selecionado.  Daí nos determos hoje em dois  exemplares do gênero: Eu Era Tudo Para Ela e Ela Me Deixou no Teatro da FAAP e Solidão,  A Comédia no N.Ex.T.

Esses piadistas, sem a indispensável graça natural, ou seja, de talento raquítico, deveriam embarcar conosco, num passeio icônico  pelo humor dos ídolos  das ultimas décadas até agora. Desde os antológicos solos dos intrépidos e corajosos Chico Anísio e Juca Chaves, passando pelos donos insuperáveis da piada de cunho deslavadamente surreal Ary Toledo e José Vasconcelos. Ou prestando a maior das atenções nos ingênuos do “pau oco” (duplo sentido) Mazzaropi, no cinema e Ronald Golias, na televisão. Ou ainda nas contundentes  sátiras de Jô Soares, herdadas naturalmente, pelo estilo espontâneo de Hugo Possolo.

HUMOR BURILADO POR AUTORES TALENTOSOS

À  maneira do famoso James Bond, vamos à apresentação: o nome dele é Boechat, Emílio Boechat. Assim deveria ser tratado esse talentoso autor, de poucas obras teatrais, mas centenas de roteiros para televisão. Boechat é o responsável primeiro  pelo concorrido cartaz do Teatro Faap, Eu Era Tudo Para Ela e Ela Me Deixou,  veículo para a cachoeira de risos em que se tornou o ator Marcelo Médici  desde Cada um Com Seus Pobrema.

Emilio Boechat está à espera de um ensaísta que se debruce sobre a sua tão verdadeira quanto cruel visão da contemporaneidade. Mas já dá para entrevê-la pelos tipos, pelos diálogos e pelo calvário percorrido pelo protagonista, a partir do momento em que sua entediada esposa despeja-o, literalmente, do seu próprio lar. Vamos acompanhar o desmonte impiedoso de um homem, como o fizeram Kafka (O Processo) e Brecht (Um Homem é um Homem). Dito assim,  parece um  tragicomédia existencialista. Que ela é! Mas, nas incontáveis mãos de Marcelo Médici e de seu surpreendente colega de cena, Ricardo Rathsam em formidável desempenho, o riso, involuntário ou não, é irreprimível, fazendo da montagem do FAAP um das melhores comédias em safras recentes.

SOLIDÃO, A COMÉDIA

Não é novidade, mas o tempo decorrido entre a montagem de Diogo Vilela e esta, com Mauricio Machado, recria com frescor e comedida melancolia, às vezes, um louco passeio pela solidão de diferentes tipos humanos, saído da mente criativa do saudoso Vicente Pereira, de vida breve, autor de Solidão. Continue lendo

Oswald de Andrade inspira musical protagonizado por Renato Borghi

25 out

Mauricio Mellone* (aplauso@gmail.com)

Patrícia Gasppar e Renato Borghi em "Que Rei Sou Eu?"

Com roteiro e direção de Elias Andreato, o espetáculo Que Rei Sou Eu? traz músicas de diferentes épocas recheadas com textos do mestre do modernismo. Renato Borghi divide o palco com Patrícia Gasppar e o maestro Jonathan Harold

De maneira despretensiosa, Elias Andreato criou o musical Que Rei Sou Eu? para reverenciar o teatro musical brasileiro, tão criativo e popular nos anos 30 e 40 do século passado. No roteiro, escrito especialmente para o ator Renato Borghi que está completando 53 anos de carreira, Elias mescla textos poéticos e irônicos inspirados na obra do modernista Oswald de Andrade com mais de 20 músicas de diversas épocas, todas tendo como foco o povo brasileiro e sua cultura. No palco aconchegante do Teatro Eva Herz, Renato com figurino estilizado de um monarca divide as canções com Patrícia Gasppar e o maestro Jonathan Harold, que assina a direção musical e os arranjos.

Intitulado como musical antropofágico, o início é justamente com a canção Que Rei Sou Eu, de Francisco Alves, que dá nome ao espetáculo. Numa cadeira que tem a função de trono, rei Renato vai discorrendo textos irônicos e poéticos que retratam o povo brasileiro e nossa história. Continue lendo

Marcelo Médici e Ricardo Rathsam levam público ao delírio cômico

25 set

Maria Lúcia Candeias*, especial para o Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

Marcelo Médici e Ricardo Rathsam em peça de Emílio Boechat

Nunca ri tanto como em Eu Era Tudo Pra Ela e Ela Me deixou. Se eu ri, não me lembro, pelo menos no teatro. Marcelo Médici está arrebentando a boca do balão no ótimo e divertido texto de Emílio Boechat, em cartaz no Teatro FAAP. A plateia ri sem parar. E não só por causa de Marcelo, mas também de Ricardo Rathsam (que dirigiu Médici em Cada Um Com Seus Pobrema) que contracena com ele o tempo todo, sem se distanciar de seu personagem, ingênuo e triste, nem por um segundo, como se não entendesse as barbaridades que seu companheiro de cena faz na pele de vários tipos de homens e mulheres. É o máximo!

Conduzir bem esses dois atores no palco não deve ser fácil e é o que se vê na direção de Mira Haar (assistida por Patrícia Gasppar e Paula Weinfeld) que ainda assina os excelentes figurinos. Continue lendo

Sandro Borelli apresenta sua nova coreografia

6 set

Redação do Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

"Eu em Ti" - Cia. Borelli de Dança

Concebido, dirigido e coreografado por Sandro Borelli, Eu em Ti, nova coreografia da companhia de dança que leva seu nome, tem como fonte de inspiração a obra do pintor e poeta Ismael Nery, um dos ícones da vanguarda brasileira, estreia nesta sexta-feira (9), no Kasulo Espaço de Arte e Cultura.

Eu em Ti, título de um poema de Adalgisa Nery com quem Ismael Nery viveu por 12 anos e com qual era casado ao morrer em 1934, integra o projeto Muro de Arrimo contemplado pelo 10° Programa Municipal de Fomento à Dança da cidade de São Paulo.

O espetáculo, adaptação de Carne Agonizante criado para a Fundação Palácio das Artes de Belo Horizonte e incorporado ao repertório da Cia. Borelli de Dança, busca a combinação entre as linguagens teatral e da dança, tendo como inspiração “a abstração do corpo erótico e santificado, despojado de vida no tempo e no espaço em busca da preservação dos elementos essenciais à existência, concebendo o ser humano de forma espiritual. Continue lendo

Uma bela continuação de "Sassaricando"

20 fev

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Cena de "É com esse que eu vou"

Sassaricando – E O Rio Inventou a Marchinha

é um dos grandes fenômenos da recente história teatral brasileira. Mantém-se em cartaz ininterruptamente há cinco anos. Seu êxito é tamanho que os roteiristas do espetáculo, Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral criaram uma continuação, o encantador musical É com esse que eu vou, desta vez recuperando a história do samba. E houve a feliz ideia de se manter praticamente a mesma equipe original de Sassaricando com a direção musical assinada por Luís Filipe de Lima e a concepção cênica feita pelos Reis dos Musicais Claudio Botelho e Charles Möeller.

A proposta de se criar uma “receita de sucesso” de um musical que recupera joias da canção popular brasileira, está presente também na dramaturgia da encenação, com o roteiro que divide os sambas em eixos temáticos, da mesma maneira que havia no primeiro espetáculo. Continue lendo

Ocidente ou oriente: Eis a questão

4 maio

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Pedofilia é um dos temas de POR QUE A CRIANÇA COZINHA NA POLENTA

Neste artigo, cujo objetivo é promover um diálogo com o leitor, a partir de algum tema provocativo oriundo das reflexões sobre algum espetáculo, convido você, leitor, a refletir comigo sobre a questão premente em dois espetáculos em cartaz, Por Que a Criança Cozinha na Polenta, dirigido por Nelson Baskerville, e O Rei e Eu, musical assinado por Jorge Takla: quais os méritos e deméritos das civilizações oriental e ocidental, de acordo com o enredo destes espetáculos?

O livro autobiográfico da romena Aglaja Veteranyi, Por Que a Criança Cozinha na Polenta, serve de base ao espetáculo homônimo, apresentado apenas às terças-feiras no Espaço dos Parlapatões, fala sobre uma família circense exilada no Ocidente, em busca de uma realidade diferente da miserável que assola o país de origem, em que impera o duro regime “stalinista” do ditador Ceaucescu. Continue lendo

O Rei e Eu é de encher os olhos

14 abr

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Cena de O REI e EU

A beleza do espetáculo O Rei e Eu, assinado por Jorge Takla, em cartaz no Teatro Alfa, além de encher os olhos, faz com que se corra o risco de sair babando e até mesmo de queixo caído.

Não dá pra descrever o encanto dos cenários (Duda Arruk), dos figurinos (Fábio Namatame), iluminados com total perfeição (Ney Bonfante). Continue lendo