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Neyde Veneziano dirige LaMínima em comédia de Dario Fo

21 mar

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"Mistero Buffo" - foto de Carlos Gueller

SÃO PAULO – Duas potências no quesito teatro cômico brasileiro, a diretora Neyde Veneziano e a trupe LaMínima (que celebra 15 anos de existência), encontram-se a partir de amanhã juntas em peça do italiano Dario Fo (leia-se Fó), Mistero Buffo, no Teatro Popular do SESI.

Num didatismo agradável, o público – parte dele disposto em arquibancadas armadas no palco que torna-se semi arena e dá o tom de espetáculo circense – recebe os atores-saltimbancos da companhia LaMínima, Domingos Montagner e Fernando Sampaio, acompanhados pelo ator convidado Fernando Paz que apresentam o que o público assistirá aquela noite, além de dizer de onde vem esse estilo teatral que Mistero Buffo representa: mistérios medievais tratados em tom satírico colhidos e transformados por Fo.

Episódios encontrados nas sagradas escrituras, como a ressurreição de Lázaro, tomam no texto dimensões de ácida crítica social. Continue lendo

Leia entrevista com Neyde Veneziano

21 mar

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

"Mistero Buffo"

SÃO PAULO – Toda obra de arte que possui histórias bíblicas é contada de forma reverente, certo? Errado. Mistero Buffo, uma comédia em tom satírico de Dario Fo, ganhou adaptação de Neyde Veneziano para o grupo LaMínima e estreia sexta-feira (22) no Teatro do Sesi-SP (Avenida Paulista, 1313). Em cena, vinte personagens são desdobrados pela dupla Domingos Montagner e Fernando Sampaio, tendo como parceiro sonoro, no palco, o ator (e também palhaço) Fernando Paz, com Marcelo Pellegrini na direção musical. Neyde Veneziano assina a direção e tradução, esta última em parceria com André Carrico. Esta estreia abre as comemorações de 15 anos, completados em 2012, de criação do grupo LaMínima.

São quatro pequenas histórias, escritas por Fo com inspiração em passagens da Bíblia, mas que subvertem a seriedade do assunto através de uma linguagem repleta de gírias, dialetos e situações, que se mesclam à estética de Dario Fo e à do palhaço. Os quadros que compõem o espetáculo são A Ressurreição de Lázaro, O Cego e o Paralítico, O Louco e a Morte e O Louco aos pés da Cruz. Mistero Buffo faz parte das comemorações do Momento Brasil-Itália e é uma produção do SESI-SP. A direção musical é de Marcelo Pellegrini, com trilha sonora executada ao vivo pelo Fernando Paz, que leva ao palco seu trompete, viola caipira, cavaquinho e até um serrote, instrumento típico do repertório musical dos palhaços.

Leia abaixo entrevista que Neyde Veneziano concedeu ao Aplauso Brasil.

Aplauso Brasil – Como surgiu a sua paixão pela obra de Dario Fo?

Neyde Veneziano – Em 1988 recebi de uma amiga que voltava da Itália o texto Arlecchino, de Dario Fo. Naquele momento, eu estava fazendo um curso de pós sobre commedia dell´arte e dava aulas na UNICAMP. Resolvi montá-lo com os alunos do último ano. O espetáculo fez muito sucesso e se apresentou durante dois anos, ganhando vários prêmios. Quase 10 anos depois fiz um projeto de pós-doutoramento para a Itália, a fim de pesquisar Dario Fo. Continue lendo

L’illustre Molière abre a temporada 2012 no Teatro Popular do SESI

1 fev

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

"L’illustre Molière"

SÃO PAULO – A partir de amanhã, o Teatro Popular do SESI apresenta a montagem L’Illustre Molière, da Companhia D’Alma. Em cartaz até o dia 26, a peça terá sessões gratuitas de quarta-feira a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 20h.

Ambientado no séc. XVII, o espetáculo retrata momentos marcantes da vida e obra do famoso dramaturgo francês Molière. Cada cena tenta recriar a efervescência da criatividade do autor, a trajetória artística de sua companhia teatral e as particularidades de sua época.

Para potencializar a ambientação da época, o público é conduzido a um cenário que recria o Teatro Ilustre, onde o artista e sua companhia trabalharam. Continue lendo

Um casório entre a astúcia e a gargalhada até domingo no SESI

2 dez

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Nani de Oliveira, Suzana Alves e Nicolas Trevijano em "O Casamento Suspeitoso"

SÃO PAULO – Restam apenas duas oportunidades, amanhã e domingo, 20h, no Teatro Popular do SESI, para dar vazão ao riso singelo proporcionado pel’ O Casamento Suspeitoso, de Ariano Suassuna, sob direção de Sérgio Ferrara.

Seguindo a mesma linha de outros textos seus como O Auto da Compadecida ou O Santo e a Porca, o paraibano de nascimento, Ariano Suassuna, por sua vez bebe nas águas da commedia dell’arte e outras fontes como Molière e Carlo Goldoni, para dar forma a tipos extremamente brasileiros que habitam o interior do nordeste.

Mesmo sendo de 1957 – e quantas mudanças sociais, tecnológicas, entre outras, parecem nos catapultar a séculos além -, a peça ainda traz consigo a realidade rural e seus valores coronelistas e retrógrados perfeitamente risíveis e reais ainda nos dias de hoje.

O casamento que dá título à peça é o de Geraldo (Joaz Campos) e Lúcia (Suzana Alves em surpreendente composição), uma moça interessada  nas finanças do futuro marido que vê seus  planos maculados pela severa Dona Guida (Beth Dorgan), o protótipo da matriarca desconfiada, e as artimanhas da dupla Cancão (Marco Atonio Pâmio) e Gaspar (um hilário Rogério Brito) que, abençoados por Guida, provocam as confusões para desmascarar a vigarista.

Susana Cláudia, mãe de Lúcia, vivida por Nani de Oliveira, é o grande destaque do espetáculo provocando intensas e seguidas gargalhadas, sobretudo nas cenas com o “carvãozinho de Arapiraca”,  o delicioso Gaspar.

Completa o elenco, dando garantias de momentos divertidos, Nicolas Trevijano, José Rosa, Sonia Maria, além dos músicos Breno Alvarenga e João Paulo Soran. Continue lendo

Denise Fraga em temporada popular com um dos melhores espetáculos de 2008

16 set

Denise Fraga como Chen Tê em <i>A Alma Boa de Setsuan</i>

Denise Fraga como Chen Tê em A Alma Boa de Setsuan

A ALMA BOA DE SETSUAN

 

Está de volta, em temporada popular, um dos melhores espetáculos do ano passado. Um Bertold Brecht divertido e responsável. O diretor Marco Antonio Rodrigues conduz com criatividade e humor o espetáculo, sem esquecer-se do dever de propor a reflexão dos espectadores, assim como era o desejo brechtiano. Encabeçado pela iluminada interpretação da atriz Denise Fraga, a Chen Tê e o primo imaginário Chui Tá, toda a qualidade o elenco responde porque a peça é sucesso de crítica e público.

A ALMA BOA DE SETSUAN de Bertolt Brecht. Dir. Marco Antônio Braz. (110min). Tuca. Sex e sab, 21h30; dom, 19h. R$20 (sex) e R$30 (sab e dom). 12 anos.