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Lembrando de Rodolfo Bottino

29 dez

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

O ator Rodolfo Bottino morreu no último dia 11

SÃO PAULO – Há poucos dias assistindo ao ótimo espetáculo Cartas de Amor-Eletropoprockoperamusical, eu lembrei de Rodolfo Bottino que faleceu no último dia 11. Explico a associação: Cartas de Amor em seu final oferece ao espectador um delicioso prato oferecido pela atriz Dedina Bernardelli. E isso me fez lembrar Rodolfo que, na década de 1990, começou a criar espetáculos que juntavam teatro e gastronomia.

Acho a trajetória de Rodolfo uma das mais singulares que conheci. Ele surgiu nos anos 1980 como o jovem e lindo galã de novelas como Ti Ti Ti e séries como Anos Dourados. Em 1993 lembro-me de ter rido muito com o seu talento cômico interpretando o faxineiro Nilson (que não sabia “qual era o masculino de ovelha?”) na excelente peça de Miguel Falabella No Coração do Brasil

Depois, Rodolfo passou a se dedicar com mais ênfase ao seu talento gastronômico. Teve um programa de sucesso o Gema Brasil, onde entrevistava uma personalidade, enquanto preparava uma comida. Data desta época o seu espetáculo que unia teatro com gastronomia, uma criação dos seus amigos Luis Salém e Stella Miranda. Continue lendo

Saiba em primeira mão os vencedores do Prêmio APCA de Teatro 2010

14 dez

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"Doze Homens e Uma Sentença", eleito o Melhor Espetáculo de Teatro de 2010 pela APCA

A noite da última segunda-feira reuniu críticos da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de diferentes áreas artísticas para a escolha dos artistas premiados por seus respectivos trabalhos realizados em 2010. Como faço parte dos votantes da área Teatro, divulgo em primeira mão a lista dos vencedores do prêmio.

Como podemos escolher os vencedores em apenas sete categorias, as discussões sobre quem deveria receber o APCA de Teatro se estenderam por mais de duas horas. A chuva torrencial que caiu pela cidade de São Paulo fez com que figuras sempre presentes nas votações como Paschoal XVIII, Celso Curi e Edgar Olímpio de Souza não estivessem presentes à mesa de votantes, esta composta por Afonso Gentil, Erika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Jefferson Del Rios, Luiz Fernando Ramos, Maria Lúcia Candeias, Mauro Fernando Mello, Michel Fernandes e Vinício Angelici. Continue lendo

Grupo 3 encena Murilo Rubião

15 out

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"O amor e outros estranhos rumores" -da esquerda para direita Débora Falabella, Rodolfo Vaz, Maurício de Barros - crédito Rodrigo Hypolitho 323

SÃO PAULO – O Grupo 3 de Teatro monta “O Amor e Outros Estranhos Rumores”, baseado na obra do principal escritor brasileiro dedicado exclusivamente ao gênero fantástico, Murilo Rubião. A estreia para o público será neste sábado (16), 21h30, no Tuca. Protagonizado pela atriz Débora Falabella e dirigido por Yara Novaes, quem dirigiu a atriz em peças como “Noites Brancas” e “A Serpente”, a peça conta com a participação especial do ator Rodolfo Vaz (Grupo Galpão).

Adaptado pela dramaturga Silvia Gomez, que despontou no Núcleo de  Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), coordenado por Antunes Filho, e lá sendo encenada a peça “O Sol Cinco Minutos Antes do Meio-dia”, O Amor e Outros Estranhos Rumores” entrelaça três contos de Rubião.

No primeiro, o amor ganha ares de lista contábil, como planilha de Excel. O protagonista chega a declarar “Jandira me custou tantas cartelas de aspirina e tantas passagens de bonde, me saiu por tantos contos de reis”. Um homem que está sempre contabilizando seus ganhos e perdas no amor, um homem que nunca se realiza, um homem que nunca se satisfaz.

"O amor e outros estranhos rumores" Débora Falabella - crédito Rodrigo Hypolitho 059 b

Na segunda trama, um homem meio Barba Azul, colecionador de esposas que vai matando, busca uma felicidade/ um amor inatingível, porque preso no plano da memória.

O terceiro conto adaptado, narra o amor de um marido por sua esposa alienada, imersa num universo próprio e narcísico. Seu apetite material é insaciável e ela não o vê senão como fonte de satisfação de seus desejos Continue lendo

Roberto Zucco em cena panorâmica

10 set

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Peça de Koltès retrata últimos dias de Zucco

Que Rodolfo Garcia Vázques está entre os melhores encenadores brasileiros não há quem duvide. Mas, desta vez, ele consegue surpreender mesmo o público assíduo de suas montagens. Coloca em cena o texto de Bernard-Marie Koltès, Roberto Zucco, sobre o criminoso Roberto Zucco (que esteve em cartaz há alguns anos, dirigido por Beatriz Azevedo, com tradução de Fernando Peixoto).

Só que desta vez foi adaptado com brilho pelo próprio diretor, que não contente com isso, faz dos Satyros, um teatro inusitado: As cenas transcorrem ao redor de toda a sala sucessivamente, dando ao espectador a sensação de que se encontra rodeado pela violência, como está na vida real atualmente, mesmo que nem sempre esteja consciente. Continue lendo

Transexuais, “Teatro Expandido” e “Teatros do Real” em Hipóteses Para o Amor e a Verdade n’ Os Satyros

1 maio

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Phedra D' Córdoba e Esther Antunes em HIPÓTESES PARA O AMOR E A VERDADE

Estreia logo mais um instigante trabalho da Cia. de Teatro Os Satyros com propostas que prometem abalar a forma tradicional em que o teatro se apresenta. Hipóteses Para o Amor e a Verdade, texto de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, que também assina a direção, busca investigar a linguagem que batizaram de “Teatro Expandido”.

No elenco atores, não atores e três transexuais: uma delas a diva da companhia, a deliciosa e dona de talento ímpar, Phedra D’ Córdoba. A trama e personagens surgiram nas entrevistas realizadas com a população que circunda a Praça Roosevelt. E posso garantir que a fauna de tipos humanos é bastante diversificada.

Antes de entrar no enredo da peça, peço licença ao senhor leitor para observar um dos motivos que mais me instiga a assistir a peça: no artigo “Teatros do Real”, um dos brilhantes textos de Teatralidades Contemporâneas, escrito por Sílvia Fernandes – uma de nossas mais competentes teóricas de teatro –, é apontado como característica da linguagem teatral contemporânea essa mescla de ficção e verdade, apoiada numa representação que rejeita o naturalismo, bem como o engajamento político didático, o foco da ação no indivíduo e como ele dialoga com seu meio social. E essa parece ser a proposta de Hipóteses Para o Amor e a Verdade que tem como mote a vida de pessoas anônimas do centro de São Paulo, suas crenças e seus afetos diante da Nova Humanidade. Continue lendo

Espetáculo musical de Phedra D. Córdoba celebra 20 anos d’ Os Satyros

21 set

Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michel@aplausobrasil.com)

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Phedra D. Córdoba, a Diva d' Os Satyros, estreia solo musical

 

Transexual, Phedra nasceu Rodolfo em Havana (Cuba) e, no final dos anos 1950, depois de ir ao Baile dos Enxutos no Rio de Janeiro (antigo baile carnavalesco como o Gala Gay), decidiu sair do casulo e desabrochar sua, já clara, alma feminina. Bailava, à época, dança flamenca com a bailarina, também cubana, Lupe Sevilla, com o nome artístico Felipe de Córdoba, em Revistas do antológico Walter Pinto. Agora, sob direção do premiadíssimo diretor Rodolfo García Vázquez, o lado vedete da atriz volta ao foco em espetáculo com releituras de músicas de Mercedes Sosa, La Lupe, Raul Seixas, U2, entre outras, como parte das comemorações dos 20 anos do grupo.

“Phedra: A Mulher Que Nunca Existiu”, título que deu aos manuscritos de seus diários, existe há muito mais tempo que sua matriz, Rodolfo Acebal, sobrinho(a) do ator Sergio Acebal,intérprete do famoso personagem Negrito no Teatro Allambra, um dos mais importantes de Cuba, além de renomada carreira cinematográfica  no início do século 20.

Ainda estudando em Havana, em plena puberdade, já se destacava nos bailados flamencos e dançou no corpo de baile da famosa Lola Flores e em diversos espetáculos até formar dupla com Lupe e tornar-se Felipe de Córdoba, dançando em Miami, Nova York, Buenos Aires, Panamá, em shows da dupla ou como atração de espetáculos de personalidades como Dalva de Oliveira.

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