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Sérgio Britto e Suely Franco no SESC Anchieta em peça dirigida por Tolentino

28 jan

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

José Roberto Jardim, Suely Franco e Sérgio Britto em "Recordar é Viver"

Quando nos apresentam uma equipe de tão alto gabarito como a envolvida no espetáculo Recordar é Viver, cuja estreia será hoje no Teatro SESC Anchieta, as expectativas não podem ser as melhores. Três nomes que somam inúmeros trabalhos de sólida qualidade em nosso teatro – os atores Sérgio Britto e Suely Franco, e o diretor Eduardo Tolentino de Araújo – merecem destaque especial.

O texto assinado por Hélio Sussekind, Recordar é Viver, primeiro escrito pelo historiador e jornalista, mostra uma família em seu cotidiano nos anos 1990 em um bairro de classe média do Rio de Janeiro. Henrique, o filho mais novo, de trinta anos, dramaturgo, reside com os velhos pais que o sustentam e que vivem discutindo e brigando por causa do filho. O pai é um aposentado em franca decadência física; já a mãe, apesar de ter boa saúde, é portadora da síndrome do pânico e não sai de casa. Continue lendo

E o palco do CCBB aguenta o peso de tantas feras!?

9 dez

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

crédito Zineb Benchekchou

Não é questão de gordura, mas de competência. Nunca vi uma montagem com tantos grandes atores ao mesmo tempo. É o que acontece em “12 Homens e Uma Sentença”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de quinta a domingo. Uma maravilha.

A peça traz como trama uma reunião de jurados para resolver se um réu é inocente ou culpado. A discussão começa com Genézio de Barros e Norival Rizzo e se alastra por todo o grupo. São eles José Renato (ator que fundou o Teatro de Arena), Oswaldo Mendes (um dos fundadores do Arte e Ciência na Palco), Brian Penido (do Grupo TAPA). Além deles, André Garolli, Eduardo Semerjian, Ivo Müller, Ricardo Dantas, Augusto César, Marcelo Pacífico, Riba Carlovich e ainda, o guarda, Fernando Medeiros. Continue lendo

“12 Homens e Uma Sentença”: texto brilhante para interpretações sublimes

2 dez

“12 Homens e Uma Sentença”, crédito Zineb Benchekchou

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Peça de Reginald Rose, com direção de Eduardo Tolentino de Araújo, fica em cartaz até 19 de dezembro no CCBB-SP

Uma história instigante e envolvente com um elenco de 12 atores afinadíssimos e de muito talento. Essa é a impressão de quem assiste “12 Homens e Uma Sentença”, que fica em cartaz no CCBB até 19 de dezembro.
Originalmente a história foi criada para uma série de TV dos EUA nos anos 50, mas ganhou, pelas mãos do ator Henry Fonda, uma versão para o cinema, com direção de Sidney Lumet. Só em 1963 chegou aos palcos do mundo, sempre com muito sucesso. E pela primeira vez é encenada no Brasil, graças aos produtores Ana e Mário Paz, que convidaram Eduardo Tolentino de Araújo para a direção. Continue lendo

Cloaca mostra como o pragmatismo exacerbado pode gerar frustrações

15 abr

Kiko Rieser, especial para o Aplauso Brasil

CLOACA re-estreia sexta-feira no Teatro ImprensaO teatro é talvez a arte que abarque intercâmbios com mais naturalidade. É raríssimo o diretor de um filme não ser conterrâneo e contemporâneo do roteirista, por exemplo, pois geralmente o trabalho se dá em colaboração mútua entre os dois profissionais. Embora na música seja freqüente um intérprete executar uma canção composta num lugar e num tempo distantes, a divisão efetiva de autoria entre pessoas de diferentes “universos” parece só ser comum no teatro, onde uma companhia de algum pequeno país da América Central pode montar um autor grego de milênios atrás.

Essa troca só tende a ser enriquecedora, pois evidencia pontos de convergência ou mesmo de atrito entre duas culturas diferentes. Às vezes, o simples ato de encenar uma peça, independentemente das escolhas estéticas usadas, pode servir como denúncia de tempos estagnados ou de uma época em que países em graus tão diferentes de desenvolvimento se igualam em certo aspecto. Cloaca, espetáculo do Grupo TAPA com texto da holandesa Maria Göos e direção de Eduardo Tolentino, é um representante deste último caso.

Quatro sujeitos que são amigos há mais de vinte anos – “cloaca” é a saudação que eles usam entre si – se encontram para resolver um problema prático. A presença de cada um no ato do encontro é movida claramente por razões que não a saudade ou a necessidade da reunião amigável. Continue lendo

Grupo TAPA e seu foco na dramaturgia versus interpretação

1 dez

Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michelfernandes@superig.com.br)

<i>Cloaca</i>, da holandesa Maria Göss

Cloaca, da holandesa Maria Göss

 

Quem busca assistir a espetáculos com cenografia multifuncional, figurinos com propostas arrojadas, uma encenação marcada pela escritura cênica a espetacularizar a trama, deve estar a par que esta não se enquadra, sobremaneira, à experimentação cênica a que o TAPA se propõe ao longo desses anos. Sendo assim, Cloaca, da holandesa Maria Göss, apresenta um trabalho em que o diretor Eduardo Tolentino de Araújo dialoga com pilares da tradição teatral: a dramaturgia, o entendimento vertical do texto e sua essência comunicada ao público por meio do trabalho de interpretação dos atores.

 

No quesito atuação do elenco, a prioridade é uma interpretação com a naturalidade stanislavskiana, seguida de caracterizações sutis, como desejava o russo Stanlislavski ao propor seu “sistema” (não o “método”, conforme difundido pelo Actor’s Studio norte-americano) na concepção do papel, a auxiliar na demarcação dos personagens. Continue lendo